Mucosite
É um termo geral utilizado para descrever o estado de uma mucosa que pode incluir eritema, inflamação, ulceração e infecção. Na radioterapia, a mucosite inicia-se por dano celular direto da radiação ionizante. A camada basal é a mais prejudicada, e por isso os efeitos são vistos logo após duas ou três semanas do início da radioterapia e persiste pelo mesmo período de tempo após o final da mesma. A severidade do quadro clínico é dose-dependente e pode agravar-se com a instalação de infecções secundárias.
Xerostomia
Também chamada de “boca seca”, é motivo de grande desconforto para o paciente devido à diminuição ou parada do fluxo salivar. Quando as glândulas salivares maiores são irradiadas, elas podem ser destruídas proporcionalmente à quantidade de radiação recebida, causando um dano permanente, tanto na quantidade como na qualidade da saliva produzida. A saliva produzida é bastante mucosa, viscosa e possui menor quantidade de proteínas e da capacidade-tampão. Como conseqüência, a cavidade bucal fica mais suscetível a infecções e este fenômeno pode exacerbar a doença periodontal e desenvolvimento de cáries de radiação e até mesmo osteorradionecrose.
Infecções
Pacientes que se submetem a radioterapia apresentam um aumento dramático da colonização por C. albicans. A candidíase pode causar um aspecto clínico semelhante ao da mucosite induzida por radiação. Organismos bacterianos e virais, em especial herpesvírus, também podem produzir desconforto e dor aos pacientes.
Aumento no índice de cáries
As denominadas cáries de radiação são processos cariosos bastante agressivos que levam à destruição total do dente e eventualmente osso adjacente em questão de meses. Surgem por causa da redução do fluxo salivar, diminuição do pH, proliferação de bactérias cariogênicas na cavidade bucal e alterações estruturais dentais.
Osteorradionecrose
Consiste na mortificação do tecido ósseo devido à insuficiência vascular da região e infecção do osso. Geralmente é dolorosa e debilitante e pode resultar em eventual perda de porções significativas da mandíbula ou da maxila. A mandíbula é mais afetada do que a maxila devido aos processos alveolares, vascularização moderada, mucosa fina e trauma pela mobilidade da língua.
Trismo
A fibrose dos músculos da mastigação pode ocorrer secundariamente a altas doses de radiação das regiões bucais e faciais. Conseqüentemente, uma abertura limitada da boca pode dificultar ou impossibilitar os procedimentos odontológicos. Com exercícios mandibulares apropriados, esse efeito colateral pode ser minimizado ou totalmente eliminado.
Perda do paladar
Ou alteração da percepção do gosto, é uma complicação bastante comum da radioterapia. A maioria dos pacientes volta à normalidade em quatro meses, mas alguns possuem perda permanente de parte do gosto. A conseqüência principal da perda do paladar é uma perda de apetite, levando à subnutrição.
Hipoalimentação
A associação da perda do paladar, xerostomia e mucosite impede seriamente uma boa alimentação, causando desnutrição dos pacientes.
Uma vez que os danos da radioterapia de cabeça e pescoço nos tecidos duros são permanentes, várias precauções devem ser tomadas antes, durante e após o tratamento.
"Uma avaliação clínica e radiográfica do complexo maxilomandibular antes do início da radioterapia é essencial, deve ser realizada uma adequação do meio bucal, remoção de dentes impactados, espículas ósseas, cáries, focos de infecção e doença periodontal. Aos pacientes edêntulos, a prótese deve estar bem adaptada, e instruções sobre higiene e cuidado com a mesma são mandatórias. No entanto, uma radiografia panorâmica faz-se necessária para afastar a probabilidade de lesões intra-ósseas não conhecidas."
"O paciente deve ser alertado quanto aos riscos da radioterapia e de que precisa seguir um protocolo rígido de medidas preventivas de higiene bucal, como escovação cuidadosa, uso de fio dental, aplicações tópicas de flúor regularmente e controle alimentar."
Nos casos de mucosite, além da manutenção da higiene bucal, devem ser receitados bochechos com substâncias anti-sépticas e analgésicas, para as infecções, sendo a por C. albicans a mais comum, bochechos com clorexidina ou substâncias alcalinas e antifúngicos controlam bem o processo.
Se o dentista deparar-se com um quadro de osteorradionecrose, ele deve proceder antibioticoterapia prévia de dois dias e então limpeza da região para remoção dos restos necróticos e seqüestros ósseos, continuar com cobertura antibiótica por no mínimo sete dias e uso de soluções anti-sépticas à base de clorexidina ou iodetos várias vezes ao dia para controlar o processo.
Na presença de xerostomia leve, a estimulação das glândulas salivares por meio de gotas de soluções ácidas na abertura dos ductos, a ingestão contínua de líquidos e o hábito de mascar chicletes sem açúcar melhoram sobremaneira o quadro, nos casos severos, o uso de salivas artificiais faz-se necessário.
O trismo causado pela cirurgia ou pela fibrose tecidual devido à radioterapia deve ser tratado com fisioterapia bucal, que inclui exercícios de abertura, uso de gomas de mascar sem açúcar, compressas térmicas e miorrelaxantes.
Se durante a radioterapia ou até cinco anos após a instituição da mesma houver necessidade premente de exodontias, estas devem ser realizadas com cobertura antibiótica e mínimo trauma do tecido, uma vez que o suprimento sangüíneo encontra-se bastante comprometido.
As câmaras de oxigênio hiperbárico vêm surgindo como uma terapia alternativa da progressão da osteorradionecrose.